Agentes de IA: 4 passos antes de ativar: escolha, organize, limite e compare
Em uma semana, duas plataformas de marketing muito usadas no Brasil colocaram agentes de inteligência artificial dentro do próprio produto. A RD Station, da TOTVS, apresentou no Universo TOTVS, em 14 de outubro de 2026, o seu Criador de Agentes de IA para RD Station Marketing, CRM e Conversas, com liberação para os clientes já em andamento. Em 19 de outubro, a Insider One lançou globalmente o Agent One, um sistema com mais de 50 agentes que decide o que comunicar para cada cliente. Lá fora, a Klaviyo liberou o Composer para toda a sua base em 13 de outubro. O recado comum: o agente de IA deixou de ser um projeto à parte e passou a morar na ferramenta que você já paga.
Isso muda a pergunta. Antes era "qual agente de IA eu devo contratar?". Agora é "o que eu entrego para os agentes que já estão chegando?". A resposta tem menos a ver com tecnologia e mais com dados organizados, processos claros e limites bem definidos.
O que a RD Station lançou
O Criador de Agentes funciona dentro da RD Station, sem plataformas paralelas. Na apresentação, Felipe Roman, diretor de IA da RD Station, explicou que os agentes nascem com o mesmo acesso que você já tem, de forma governada, aos leads, às negociações em curso, às conversas de atendimento e aos fluxos de automação. Além de consultar, eles podem agir: atualizar um lead, enriquecer um dado ou mudar um registro no mesmo ambiente, sem depender de integrações montadas em ferramentas como Make ou n8n.
Três detalhes merecem atenção:
- Copiloto para criar agentes: a criação parte de uma conversa em linguagem natural ou de uma galeria de modelos prontos para marketing, vendas e atendimento.
- Governança embutida: segundo a RD Station, as permissões seguem o login existente, com registro de execução e histórico de qualidade de cada agente.
- Humano no circuito: no RD Station Conversas, o agente chama uma pessoa no momento configurado e recebe a conversa de volta quando ela termina.
Um exemplo citado no evento: um cliente do RD Station CRM recebe todo dia, às 8 horas, um e-mail com a saúde do funil comercial, calculado por um agente. Outro veio da CPB, editora que passou a levar para o RD Station Marketing o que o cliente conta na conversa, como idade dos filhos e interesses, e usar isso na campanha seguinte.
O que a Insider One lançou
O Agent One junta dois grupos de agentes. O Agent One Teams analisa resultados, cria segmentos, campanhas e jornadas e escolhe o que enviar a cada cliente. O Agent One Audiences conversa com o consumidor no WhatsApp, no Instagram, no site e no aplicativo. O que o cliente escreve ou fala volta para a base de dados de clientes (CDP) e alimenta as próximas campanhas.
Dois pontos se destacam. O primeiro é a decisão de não enviar. Fernando Jaques, CEO da Insider One no Brasil, resume: se o cliente já ia comprar, oferecer desconto só reduz a margem de uma venda garantida. O segundo é a ideia de contexto. "Todo mundo terá agentes. Cada SaaS terá uma série deles. Isso já virou commodity. O que faltava era contexto", disse Felipe Neto, consultor de soluções da empresa.
Os casos apresentados mostram o efeito. Segundo a Insider One, a Riachuelo passou de uma para 13 jornadas comportamentais em 12 meses, reduziu em 30% o volume de mensagens e teve 40% mais cliques. A empresa também descreve a autonomia da IA em quatro níveis: executar um comando, executar e recomendar, perseguir uma meta dentro de regras aprovadas pela marca e, por fim, agir sozinha e só mostrar o resultado. Hoje, diz estar no terceiro nível.
E a Klaviyo, com o Composer
Para quem vende online, o movimento da Klaviyo completa o quadro. O Composer responde perguntas sobre clientes, campanhas e vendas com citações das fontes, compara o desempenho com dados de referência de mais de 205 mil clientes e executa tarefas recorrentes na nuvem, como revisar toda segunda-feira os fluxos que estão perdendo resultado. A empresa também permite ensinar ao agente o seu jeito de trabalhar, por meio de habilidades reutilizáveis.
O que esses lançamentos têm em comum
Os três seguem a mesma lógica:
- O agente nasce perto dos dados. Em vez de copiar planilhas para um chat, ele consulta a base da própria ferramenta.
- Ele não só responde, ele executa. Cria segmentos, monta campanhas, atualiza registros e manda relatórios.
- A autonomia é graduada. Rascunhos, aprovações e registros de execução fazem parte do produto.
A conclusão prática é simples: a qualidade do agente vai depender da qualidade da sua operação. Na mesma palestra, Roman admitiu que os dados de muitas empresas, inclusive da RD Station, não estão tão organizados quanto parecem. Com dados desorganizados, a IA erra em escala, e a impressão vira "IA não é para mim".
Como se preparar: quatro passos
1. Escolha um processo repetitivo
Comece por uma tarefa que se repete toda semana e tem regra clara, como o relatório de leads, a revisão de fluxos de e-mail ou a triagem de contatos que chegam pelo site. Processo bem descrito é a matéria-prima de um bom agente. Se você ainda está mapeando onde a IA cabe na rotina, veja como levar agentes de IA para a rotina de marketing.
2. Organize os dados que o agente vai usar
Padronize campos de cadastro, elimine contatos duplicados e confirme que a origem de cada lead está registrada. Se informações importantes estão no ERP, em planilhas ou no atendimento, decida quais precisam chegar à ferramenta de marketing antes de ligar o agente.
3. Defina limites e aprovações
Diga o que o agente pode fazer sozinho e o que precisa da sua aprovação. Criar um rascunho de campanha pode ser automático, enviar para toda a base não deveria ser. Revise permissões de acesso e o uso de dados pessoais conforme a LGPD, e confira os registros de execução nas primeiras semanas.
4. Compare o resultado com o processo antigo
Antes de ampliar, meça. Tempo gasto, volume de mensagens, cliques, oportunidades geradas e erros evitados contam a história. Se o agente atende clientes, acompanhe também quando a conversa precisou passar para uma pessoa. O caso de atendente de IA no WhatsApp mostra um bom ponto de partida.
O que ainda não está claro
A liberação do Criador de Agentes da RD Station é gradual, e a empresa não detalhou publicamente preços nem limites de uso por plano. Na Insider One e na Klaviyo, parte dos recursos depende do pacote contratado. Também falta histórico para saber quanto os agentes acertam em operações menores, com bases pequenas e dados incompletos. Teste com escopo pequeno e decisões reversíveis.
Conclusão
Os agentes de IA estão chegando pela porta da frente, dentro das ferramentas de marketing que você já usa. Quem ganha não é quem ativa primeiro, e sim quem entrega ao agente um processo claro, dados confiáveis e limites bem definidos. Esse trabalho de base vale para qualquer plataforma, e começa hoje.
Se você quer descobrir quais processos do seu marketing estão prontos para agentes de IA e o que precisa ser organizado antes, fale com um especialista da Oficina Martech e peça um diagnóstico da sua operação.

