Tráfego do ChatGPT caiu? 5 ajustes no GA4: anote, etiquete, compare, espere e alerte
Se você abriu o Google Analytics nos últimos dias e viu as visitas vindas do ChatGPT despencarem, respire antes de mudar qualquer plano. Entre 8 e 15 de outubro de 2026, boa parte dos links que o ChatGPT mostrava nas respostas deixou de levar a etiqueta que avisa ao seu site de onde o visitante veio. As pessoas continuaram clicando. O que sumiu foi o rótulo.
O episódio é pequeno, mas ensina muito sobre como medir tráfego que chega por assistentes de IA. E esse tráfego tende a crescer.
O que aconteceu com o tráfego do ChatGPT
Desde junho, os links citados nas respostas do ChatGPT carregavam o parâmetro utm_source=chatgpt.com. É um pedacinho no fim do endereço que diz ao GA4: "esta visita veio do ChatGPT". Com o lançamento de um novo formato de respostas, a chamada Intelligent UI, muitos desses links passaram a sair sem a etiqueta.
Os números que chamaram atenção
O Search Engine Land relatou a análise de Cedric Huesler, da Adobe, em cerca de 500 páginas que recebiam pelo menos 5% das visitas do ChatGPT. Comparando 9 a 13 de outubro com a semana anterior, as visitas atribuídas ao ChatGPT caíram cerca de 31 mil por dia. No mesmo período, o tráfego direto dessas páginas subiu cerca de 26 mil por dia. Em dois terços das páginas que perderam visitas do ChatGPT, o direto aumentou.
Segundo o Search Engine Journal, a Graphite viu uma queda de aproximadamente 45% nas sessões do ChatGPT em sites com tráfego relevante desse canal. A conclusão dos analistas foi a mesma: o visitante não sumiu, só passou a aparecer como "direto".
A correção
O Search Engine Roundtable acompanhou o caso desde o início. Huesler afirmou que a OpenAI confirmou o erro para ele em 14 de outubro e que a correção começou a ser aplicada no dia 15. A confirmação é de segunda mão: a OpenAI não comentou publicamente, como lembra a Relevant Audience. Pelos dados da Profound, na manhã de 16 de outubro cerca de 99% das respostas com links citados já traziam a etiqueta de novo.
Só que a volta da etiqueta não conserta o passado. Os dias afetados continuam registrados como tráfego direto no seu relatório.
Por que isso importa para quem vende no Brasil
Muita gente já pergunta ao ChatGPT qual fornecedor contratar, qual ferramenta usar ou onde comprar. Quando a sua marca aparece na resposta e a pessoa clica, essa visita pode virar orçamento, cadastro ou venda. Se o relatório não mostra de onde ela veio, você corre três riscos.
Tirar conclusões erradas. Uma queda de 45% num canal parece motivo para cortar investimento em conteúdo. Neste caso, era só um problema de etiqueta.
Dar crédito ao canal errado. O tráfego direto inflado faz parecer que mais gente digitou o seu endereço. Isso distorce a leitura de marca e de campanhas.
Perder a história das vendas. Se a visita chegou sem origem, a venda que veio depois também fica sem origem. Na hora de decidir onde colocar dinheiro, o ChatGPT some da conta.
Como medir visitas vindas de IA com mais segurança
A boa notícia é que dá para se proteger com ajustes simples no GA4 e nos seus relatórios.
1. Anote o período no GA4
Marque de 8 a 15 de outubro como período afetado, com uma anotação no relatório. Assim, quem olhar o gráfico daqui a três meses entende que a queda do ChatGPT e o pico do direto são o mesmo evento. Confira as datas no fuso horário da sua propriedade. Os horários citados pelos analistas estão no horário do Pacífico, e no Brasil a virada pode cair um dia depois.
2. Conte pela UTM, não pela origem da página
Huesler lembrou que a maioria dos cliques do ChatGPT ainda chega sem a informação da página de origem. Por isso, a etiqueta utm_source=chatgpt.com é o sinal mais confiável. Se você criou um agrupamento de canais para IA, confira se ele usa a origem da campanha, e não só o site de referência. Vale incluir outros assistentes, como Perplexity, Gemini e Copilot, na mesma regra.
3. Olhe direto e IA juntos
Monte uma visão simples com três linhas no mesmo gráfico: visitas de assistentes de IA, tráfego direto e busca orgânica. Quando uma cai e outra sobe no mesmo dia, nas mesmas páginas, o mais provável é um problema de medição, e não uma mudança no comportamento das pessoas.
4. Não redesenhe tudo por causa de uma semana
Não mude metas, modelos de atribuição ou verba com base nesses dias. Se você fizer isso, o erro vira regra dentro do seu relatório. Espere alguns dias de dados normais, compare com o período anterior ao problema e só então decida.
5. Crie um alerta para a próxima vez
Plataformas de IA mudam o jeito de mostrar links com frequência. Configure um alerta no GA4 para quedas bruscas nas visitas de assistentes de IA e para picos do tráfego direto. Assim, você descobre o problema em um dia, e não no fechamento do mês.
Se você quer entender melhor como medir canais que não vêm do último clique, veja o que reunimos sobre creator marketing além do último clique. E, para preparar o seu site para quem chega pelos assistentes, leia o nosso guia sobre comércio via ChatGPT.
O que ainda não está resolvido
Alguns pontos continuam em aberto. A OpenAI não explicou publicamente o que aconteceu nem disse se vai voltar a enviar a página de origem nos cliques. Links copiados e compartilhados sem a etiqueta também continuam caindo no direto. E outros assistentes têm regras próprias, que podem mudar sem aviso. Por isso, a medição de tráfego vindo de IA ainda é uma estimativa. Ela é útil para decidir, mas precisa ser conferida com outros sinais, como buscas pela sua marca, formulários preenchidos e conversas de vendas.
Conclusão
O caso das UTMs do ChatGPT mostra que um gráfico pode mentir sem ninguém ter errado do seu lado. As visitas continuaram chegando, mas o rótulo sumiu por uma semana. Quem anota o período, mede pela etiqueta certa e olha os canais juntos atravessa esse tipo de mudança sem tomar decisões no escuro.
Se você quer revisar como o seu GA4 mede visitas vindas de IA, campanhas e vendas, fale com um especialista da Oficina Martech.

