Pontos e cashback sem desperdício. 4 passos: escolha, acompanhe, compare e proteja
"Quer informar o CPF para ganhar desconto?" "Você já tem cadastro no nosso programa?" "Esta compra vale pontos em dobro." Você provavelmente ouve frases assim toda semana, no supermercado, na farmácia, no posto de combustível ou no aplicativo do banco.
Os programas de fidelidade viraram parte da rotina do brasileiro. A promessa é simples: você compra o que já ia comprar e recebe algo de volta, em pontos, milhas ou dinheiro. Mas, na prática, muita gente acumula cadastros, esquece os pontos e entrega os seus dados sem saber direito o que recebe em troca. Neste artigo, mostramos o que as pesquisas mais recentes dizem e quatro cuidados simples para você aproveitar melhor esses programas.
Os programas de fidelidade estão em todo lugar
Um mercado que não para de crescer
Segundo a Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização (ABEMF), os programas de fidelidade do país chegaram a 306,2 milhões de cadastros no primeiro trimestre de 2026, alta de 12,7% em relação ao mesmo período de 2025. É mais do que a população do Brasil, porque muita gente participa de vários programas ao mesmo tempo.
Nesses três meses, foram emitidos 299,3 bilhões de pontos e milhas, e 250,1 bilhões foram trocados por produtos e serviços. E os pontos não vêm só das viagens: 93% deles foram acumulados no varejo, na indústria, nos bancos e em serviços. As passagens aéreas responderam pelos outros 7%.
Quase todo mundo participa
A pesquisa Panorama da Fidelização no Brasil, da ABEMF com a Valuenet, ouviu 2.313 pessoas em 2025. 88,3% disseram que já usam programas de fidelidade, e 82,4% conseguiram resgatar pelo menos um benefício relevante no último ano. Os resgates mais comuns foram descontos (59,5%), cashback (53,3%) e passagens aéreas (26,5%).
O motivo mais citado para participar é receber benefícios por compras que a pessoa já faria de qualquer jeito (51,6%). E 84,8% dizem preferir comprar de marcas que oferecem algum programa ou benefício.
O cashback também entrou no dia a dia
O cashback, aquele dinheiro que volta para você depois da compra, é conhecido por 95% dos brasileiros com conta em banco, segundo levantamento do Instituto Locomotiva feito a pedido da 99Pay com 1.800 pessoas. Seis em cada dez pessoas que conhecem o benefício usam ou já usaram cashback.
Uma pesquisa da Bain & Company com consumidores brasileiros, feita em fevereiro de 2026, mostra o tamanho da tarefa: quem participa desses programas está, em média, em 6,4 programas de fidelidade ao mesmo tempo. É muita coisa para acompanhar.
Onde você pode estar perdendo
Pontos que vencem sem uso
Pontos e milhas têm prazo de validade. A ABEMF mede quanto do que é emitido acaba expirando, a chamada taxa de breakage. No primeiro trimestre de 2026, essa taxa média ficou em 11,1%, o menor nível já registrado pela associação. A notícia é boa, porque mostra que as pessoas estão aproveitando mais. Mas também quer dizer que, em média, cerca de 11 de cada 100 pontos ainda vencem sem uso.
Desconto em troca dos seus dados
A outra perda é menos visível. Em 2025, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) avaliou que os descontos dados em farmácias em troca do CPF são "potencialmente fictícios", porque o preço cheio de muitos remédios não condiz com a realidade. Segundo a nota técnica do órgão, o consumidor acaba informando os seus dados sem receber explicações claras sobre como eles serão usados.
Em junho de 2026, a Justiça do Maranhão proibiu a rede Drogasil de condicionar descontos de balcão ao CPF, por entender que o consentimento dado sob a ameaça de pagar mais caro não é livre. Ainda cabe recurso da decisão. O recado vale para qualquer programa: os seus dados de compra têm valor, e você tem o direito de saber o que é feito com eles.
4 passos para aproveitar melhor os programas de fidelidade
1. Escolha poucos programas e concentre as compras
Faça uma lista dos programas em que você está cadastrado. Fique com os que combinam com o que você já compra com frequência: o supermercado do bairro, a farmácia de sempre, o cartão que você mais usa. Concentrar as compras em poucos programas faz os pontos crescerem mais rápido e deixa tudo mais fácil de acompanhar. Os outros você pode deixar de lado ou até cancelar.
2. Acompanhe o saldo e a validade
Uma vez por mês, abra os aplicativos dos programas que você escolheu e confira o saldo e as datas de vencimento. Anote no calendário do celular quando um lote de pontos estiver perto de expirar. Assim, você troca com calma, e não às pressas por qualquer coisa só para não perder.
3. Compare antes de trocar
Nem toda troca vale o mesmo. Antes de resgatar, faça uma conta simples: divida o preço que você pagaria em dinheiro pelo produto ou pela passagem pela quantidade de pontos pedida. Compare o resultado com outras opções do próprio programa e com o cashback, que costuma ser mais fácil de entender porque o valor volta direto para você. E desconfie de "pontos em dobro" em produtos que você não pretendia comprar: gastar mais só para ganhar pontos raramente compensa.
4. Pense antes de entregar o seu CPF
Você não é obrigado a informar o CPF para comprar ou para saber o preço de um produto. Se quiser entrar em um programa, pergunte para que os dados serão usados, com quem serão compartilhados e por quanto tempo ficarão guardados. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) garante esse direito, e também o de pedir a exclusão dos seus dados. Na farmácia, lembre que o histórico de remédios diz muito sobre a sua saúde.
Com a Black Friday chegando, os convites para novos cadastros e as ofertas de pontos vão aumentar. Para se proteger também de ofertas falsas, veja como usar a inteligência artificial a seu favor nas compras sem perder o controle.
Um cuidado com os números
As pesquisas citadas usam métodos, períodos e públicos diferentes. Os indicadores da ABEMF medem o mercado a partir dos dados das empresas, enquanto a Panorama da Fidelização, o Instituto Locomotiva e a Bain ouviram consumidores, em datas diferentes. Por isso, os números não devem ser somados ou comparados diretamente. Use os dados como direção, e não como uma regra para todo mundo.
Conclusão
Os programas de fidelidade podem render descontos, viagens e dinheiro de volta para quem compra o que já ia comprar. O segredo está em poucos hábitos: escolher poucos programas, acompanhar a validade, comparar antes de trocar e pensar duas vezes antes de entregar os seus dados. Assim, os pontos trabalham para você, e não o contrário.
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Fontes
- ABEMF: Faturamento dos programas de fidelidade cresce mais de 11% e chega a R$ 6,3 bilhões no 1T26 (16/07/2026)
- PANROTAS: 88% dos brasileiros utilizam programas de fidelidade, diz pesquisa da Abemf (17/10/2025)
- Portal ClienteSA: Cashback já é utilizado por seis a cada dez brasileiros, levantamento do Instituto Locomotiva para a 99Pay (07/04/2026)
- Bain & Company: Conheça o consumidor imediatista, pesquisa com consumidores brasileiros (fevereiro de 2026)
- UOL: ANPD, desconto em remédio em troca do CPF é "potencialmente fictício" (19/04/2025)
- Consultor Jurídico: Farmácias não podem exigir dados pessoais de clientes na oferta de descontos (02/06/2026)

